Relatório final sobre suposta fraude de documento na PM: promotora de Justiça Militar determina instauração de novos IPMs

16 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

A promotora de Justiça da Auditoria Militar Karla Dias Sandoval Mattos Silva determinou a instauração de novos inquéritos policiais para investigar a existência de um suposto documento montado por um coronel para favorecer um dos acusados de intermediar o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho e as supostas omissão e prevaricação que teriam sido praticadas por dois ex-comandantes gerais da Polícia Militar e por um ex-corregedor geral da Corporação, hoje atual subcomandante geral.

A decisão da promotora de Justiça é em resposta ao relatório final elaborado pelo juiz Carlos Eduardo Ribeiro Lemos sobre a suposta farsa do documento. Mais informações sobre o relatório final do juiz Carlos Eduardo estão no link http://elimarcortes.wordpress.com/2011/10/15/juiz-manda-investigar-dois-ex-comandantes-da-pm-e-subcomandante-geral-por-suposta-fraude-de-documento-no-caso-alexandre-martins/

Em ofício assinado no dia 7 de outubro e enviado ao juiz Carlos Eduardo, a promotora de Justiça Karla Sandoval informa que foi incumbida pelo Conselho Superior do Ministério Público Estadual de acompanhar as apurações em torno dos “graves e sérios indícios” de cometimento, em tese, de crimes por parte de militares de alta patente da PMES.

Informa também que, em virtude de várias requisições feitas pela Promotoria de Justiça Militar, “foram instaurados inúmeros Inquéritos Policiais Militares, que ainda estão em desenvolvimento na PMES”.

Karla Sandoval informa ainda em seu ofício que o Comando da Polícia Militar já foi provocado a informar se em algum tempo – depois da publicação do livro “Espírito Santo”, em meados de 2009, cujos autores relataram o possível envolvimento de oficiais da PM na morte do “corajoso” juiz Alexandre Martins – foi instaurado Inquérito Policial Militar para “apurar a veracidade ou não dos fatos narrados, já que o coronel Marco Aurélio Capita, abertamente na mídia, se identificou como sendo ele o personagem Áureo Macedo”.

Áureo Macedo é um nome fictício usado pelos autores do livro para denunciar que o coronel Marco Aurélio teria tentado atrapalhar as investigações do assassinato.

“Por fim – informa a promotora Karla Sandoval –, ao acusar o recebimento da Vossa decisão no procedimento referente ao apenado Heber Valêncio, remetido a esta Promotoria pelo Senhor Procurador Geral de Justiça, em 22 de setembro do corrente ano, cabe-me informar que estarão sendo adotadas, imediatamente, todas as providências legais, inclusive a requisição para instauração de novos IPM’s, visando apurar os fatos narrados que ainda não são objeto de investigação, o que se fará para a preservação da ordem pública”.

Relatório final sobre suposta fraude de documento na PM: governador manda secretário da Segurança tomar providência

16 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

Assim que recebeu em seu gabinete cópia do relatório final feita pelo juiz Carlos Eduardo Ribeiro Lemos acerca de uma suposta fraude de documento para beneficiar um dos acusados de intermediar o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho e prejudicar políticos capixabas, o governador Renato Casagrande reagiu imediatamente.

Ele determinou ao secretário de Estado de Governo, Robson Leite, a telefonar para o juiz Carlos Eduardo e comunicar ao magistrado que todas as providências, que cabem ao Executivo, já estavam sendo tomadas.

“Fui comunicado pelo secretário Robson Leite que o governador Renato Casagrande já havia determinado à Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) a tomar as providências cabíveis”, relatou o juiz Carlos Eduardo, ao Blog do Elimar Côrtes.

Para entender o caso, leiam postagem anterior neste blog.

Relatório final sobre suposta fraude de documento na PM pode levar quatro coronéis para dentro do processo da morte de juiz

15 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

O juiz Carlos Eduardo Ribeiro Lemos, da 5ª Vara Criminal de Vitória (Privativa das Execuções Penais), concluiu apuração que investigou suposta montagem de documento para beneficiar um dos militares condenados pelo assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, ocorrido em março de 2003, em Vila Velha. O relatório final poderá levar quatro coronéis da Polícia Militar capixaba para dentro do processo do assassinato do juiz Alexandre.

O sargento Heber Valêncio, que seria beneficiado pela suposta fraude, acabou sendo inocentado, mas o juiz Carlos Eduardo – que sempre combateu o crime organizado ao lado de Alexandre Martins e outros magistrados – concluiu que quatro coronéis teriam cometido irregularidades. Por isso, o magistrado pediu ao Ministério Público Estadual que tome providências cabíveis – abertura de inquérito policial –, “eis que tais fatos podem ter relação, inclusive, com o crime que vitimou o Juiz Alexandre Marins de Castro Filho”.

Dois dos coronéis – Marco Aurélio Capita e Oberacy Emmerchi Júnior – já se encontram na reserva. Marco Aurélio, que foi subcomandante geral da PM durante os últimos oito meses do governo de Paulo Hartung – e mais três meses no atual governo de Renato Casagrande –, é citado no relatório do juiz Carlos Eduardo como o oficial que teria montado a farsa do documento, em que, para supostamente beneficiar o sargento Valêncio, acaba acusando dois políticos capixabas e um advogado de corrupção.

O coronel Marco Aurélio é citado também no livro “Espírito Santo”, que revela os bastidores das investigações do assassinato do juiz Alexandre Martins, como um dos militares que teriam tentado atrapalhar as investigações, escondendo a arma do crime – que acabou sendo encontrada.

O livro foi escrito pelo juiz Carlos Eduardo, o sociólogo carioca Luiz Eduardo Soares e o hoje deputado estadual Rodney Miranda, que na época era secretário de Estado da Segurança Pública.

O coronel Emmerich, que foi comandante geral da PM no governo de Hartung entre 2009 e final de 2010 e atualmente é um dos subsecretários de Estado da Justiça, é citado no relatório do juiz Carlos Eduardo como o oficial que teria “acobertado” a suposta fraude e que teria cometido prevaricação – quando uma autoridade pública deixa de tomar providências para investigar a prática de um crime – neste caso, a suposta montagem do documento.

Já o ex-comandante geral da PM, coronel Anselmo Lima – que deixou o cargo no dia 3 deste mês –, e o atual subcomandante geral da Corporação, coronel Dejanir Braz Pereira da Silva – que na ocasião da suposta fraude era corregedor geral da PM –, “faltaram com suas obrigações na apuração envolvendo tão sérios fatos em desfavor do coronel Marco Aurélio Capita, pois não ouviram as pessoas mencionadas pelo denunciante, que foram ouvidas por este juízo, o que deve e necessita ser apurado pelo Ministério Público e juízo competente”, afirma Carlos Eduardo Ribeiro Lemos.

No relatório assinado em 16 de setembro deste ano, o magistrado diz que começou a apuração porque o apenado Valêncio, condenado pela acusação de participar do assassinato de Alexandre Martins, teve como regime inicial o fechado, progredindo para o semiaberto e aberto. Portanto, cumprindo pena na Vara de Execuções de Penas e Medidas Alternativas (Vepema), cujo responsável é o juiz Carlos Eduardo.

As acusações contra Valêncio seriam a de participar de um suposto esquema para matar um outro oficial da PM e de ser beneficiado pelo suposto documento montado. O sargento, entretanto, negou todas as acusações. Como não ficou nada comprovado contra ele, Valêncio foi inocentado, segundo o juiz Carlos Eduardo.

Várias testemunhas foram ouvidas na Vepema, assim como acusados. Em dos trechos de seu relatório, o juiz Carlos Eduardo informa que o coronel Oberacy Emmerich, ouvido às folhas 715/716, revela que foi informado por três coronéis “sobre a tentativa de fraude de documento pelo Capita…Que não determinou a abertura de investigação sobre as ameaças (a um oficial), apesar de ter considerado o risco e ter determinado escolta para o mesmo…”

O relatório do magistrado prossegue ainda com parte do depoimento do coronel Emmerich, segundo Carlos Eduardo: “…Que conversou (Emmercih) com o coronel Capita e ele confirmou a existência do tal documento montado para beneficiar Valêncio…Que mesmo tomando conhecimento de que Capita teria sido acusado de tentar sumir com a arma do Alexandre, e que agora estaria tentando fraudar um documento para beneficiar Valêncio, não tomou qualquer providência como comandante geral, pois foi colega de turma do Capita’’.

Dias depois de dar o depoimento acima, o coronel Emmerich telefonou para o juiz Carlos Eduardo, indagando se poderia ser ouvido novamente, pois queria corrigir parte de sua fala anterior. O magistrado concordou e, em seu relatório, informa que Emmerich disse que tinha esquecido da seguinte informação: que tinha determinado a abertura de sindicância, através da portaria 169/10, para apurar os fatos envolvendo ameaças ao oficial e possível fraude de documento por parte do coronel Marco Aurélio, assim como possível participação de policiais em plano para matar um oficial.

O juiz Carlos Eduardo, passa, então, a anunciar sua decisão: “Apesar dos sérios fatos trazidos durante a presente apuração, não houve qualquer prova que evidenciasse a participação dolosa do apenado (Valêncio) na alegada tentativa de fraude de documento, nem mesmo prova de seu envolvimento em suposto plano de morte contra um oficial, razão por que dou por encerrado o procedimento de justificação, sem qualquer providência em desfavor do apenado”.

Mais adiante, o juiz Carlos Eduardo afirma que, “analisando a conclusão do comandante geral da PM, coronel Anselmo Lima, na sindicância para apurar supostamente os mesmos fatos que levaram este juízo a abrir o presente procedimento de justificação do apenado Heber Valência, tenho-a como absolutamente inconsistente”.

O magistrado prossegue, com uma indagação:
“Como pode a Corregedoria Geral da PM, através do coronel Dejanir Braz Pereira da Silva – na época da apuração feita por ele, Silva era corregedor e hoje é subcomandante geral da PM –, emitir parecer inconclusivo sobre tão sérios fatos, onde um coronel PM, Marco Aurélio Capita, estaria tentando fraudar um documento para ser assinado por outro coronel, encerrando a sindicância sem mesmo ouvir as partes citadas nos documentos?”

Portanto, segundo o juiz Carlos Eduardo, os coronéis Silva e Anselmo Lima “faltaram com suas obrigações na apuração envolvendo tão sérios fatos”.

Carlos Eduardo finaliza seu relatório com a seguinte determinação:

“Pelo exposto, determino a remessa de todos os documentos aqui mencionados, com cópia da presente decisão ao Procurador Geral do Ministério Público (Fernando Zardini), à Auditoria Militar (juiz Getúlio Marques Pereira Neves), ao presidente do Egrégio Tribunal de Justiça (desembargador Manoel Rabelo), ao secretário de Segurança (Henrique Herkenhoff) e ao governador do Estado (Renato Casagrande), para as providências que julgarem cabíveis para apuração, com base nos depoimentos reveladores aqui trazidos, e providências cabíveis, eis que tais fatos podem ter relação, inclusive, com o crime que vitimou o juiz Alexandre Martins de Castro Filho”.

Os quatro coronéis citados no relatório final de Carlos Eduardo – Marco Aurélio Capita, Oberacy Emmerich, Dejanir Silva e Anselmo Lima – poderão, portanto, serem levados para dentro do processo do assassinato do juiz Alexandre Martins, caso o pedido do titular da Vepema seja atendido pela autoridades.

O processo da morte de Alexandre Martins tramita na Justiça de Vila Velha. Está parado desde maio deste ano na mesa do Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, em Brasília, pedido de federalização das investigações.

Faltam ainda ir a julgamento os acusados de serem os mandantes: o coronel da reserva Walter Gomes Ferreira, o ex-policial Civil Cláudio Luiz Andrade Batista, o Calu, e o juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira.

É bom que fique claro que em momento algum o juiz Carlos Eduardo afirma que os quatro coronéis tenham participado da morte de Alexandre Martins. Cita, apenas, que um deles (Marco Aurélio) teria tentado fraudar documento para beneficiar um dos acusados do crime; outro (Emmerich), teria acobertado Marco Aurélio e prevaricado porque o coronel é seu companheiro de turma – embora, mais tarde, em novo depoimento, Emmerich tenha garantido que havia mandado abrir sindicância para investigar Marco Aurélio, que na ocasião da investigação era subcomandante geral da PM.

E que outros dois coronéis (Anselmo e Silva) não teriam desempenhado direito seu papel durante investigação da suposta fraude. Ou seja, mesmo não ouvindo ninguém na sindicância, teriam concluído que não houve nenhum delito por parte de Marco Aurélio.

Curso de Promotor de Policiamento Comunitário Sistema Koban começa na segunda-feira

14 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

Será realizado no período de 17 a 21 deste mês (outubro) o Curso Nacional de Promotor de Policiamento Comunitário Sistema Koban, que terá a participação de 50 militares capixabas. As aulas serão no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, em Vitória. O curso é realizado segundo o acordo de cooperação técnica celebrado entre o Ministério da Justiça e o Governo do Espírito Santo.

A abertura, às 08h30, contará com a palestra ‘Polícia Interativa e Sistema Koban’, com o tenente coronel Jailson Miranda. Ele vai abordar a experiência dos policiais capixabas que viram na prática o funcionamento do sistema no Japão.

Participarão do curso, policiais que já atuam com o policiamento comunitário nos batalhões da Região Metropolitana da Grande Vitória e também militares do interior do Estado.

O objetivo é que após o curso eles gerenciem as bases comunitárias dentro da filosofia do Sistema Koban, e atuem na mobilização social das lideranças comunitárias. Este é o segundo curso realizado no Estado em 2011, o primeiro foi em julho quando se formaram 50 militares gestores deste sistema.

Sistema Koban

O sistema Koban, adotado no Japão, segue a ideia de descentralização territorial e seu funcionamento é parecido com os Postos Comunitários de Segurança, no Brasil.

O critério para sua instalação e localização é técnico, estabelecido pela polícia para que garanta o atendimento às pessoas que o procurem e para manter um nível satisfatório de ordem.

Estes postos policiais (Kobans e Chuzaishos) funcionam 24 horas por dia. Os japoneses também acreditam que os maiores e melhores recursos da polícia devem estar alocados na linha de frente.

A filosofia tem como fundamento o estreitamento de relações entre polícia e comunidade, e a autonomia do policial em sua região, onde atua como um “mini-chefe” de polícia descentralizado em patrulhamento constante, trabalhando como solucionador dos problemas da comunidade, para garantir segurança e paz.

No Brasil, a filosofia do Sistema Koban aplicada na Polícia Militar de São Paulo ajudou na redução dos índices de 37,7 homicídios por 100 mil habitantes em 1999, para 10,4 em 2010. (Informações do site da PMES).

Denúncia de nepotismo cruzado pode derrubar a qualquer momento o secretário da Justiça

13 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

Depois de exonerar sua superintendente de Comunicação, a jornalista-empresária Sandra Cola, o governador Renato Casagrande (PSB) corre o risco de sofrer mais uma baixa no primeiro escalão. O secretário de Estado da Justiça, Ângelo Roncali, está prestes a entregar o cargo.

O motivo tem a ver com uma outra mulher. É que a esposa do secretário, Teresa Cristina Sobral, acaba de perder o cargo que tinha na Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp).

Na Sesp, Teresa Sobral ocupava o cargo de assessora Especial de Ações de Prevenção. Ela ocupava o cargo há mais de quatro anos. Foi nomeada, portanto, pelo ex-governador Paulo Hartung.

O emprego da mulher do secretário Ângelo Roncali na Secretaria da Segurança Pública, entretanto, teria sido interpretada pelo governo atual como um nepotismo cruzado.

Como o nepotismo é proibido em órgãos públicos, Hartung, para contar com a presença de Ângelo Roncali – que é servidor público federal de carreira, em Brasília – no Espírito Santo, concordou em dar emprego também à mulher do secretário da Justiça.

Ângelo Roncali foi mantido no cargo, em janeiro, pelo governador Renato Casagrande, devido ao excelente trabalho de modernização e moralização executado nos presídios capixabas.

Casagrande tomou conhecimento de que a esposa do secretário da Justiça exercia um cargo comissionado na Sesp por intermédio de denúncia que chegou ao Conselho de Ética do Estado e ao Ministério Público Estadual. Os integrantes do Conselho de Ética sugeriram a exoneração de Teresa Sobral.

A situação causou constrangimento. Casagrande convocou Ângelo Roncali, mas quem teria conversado sobre o assunto com o secretário da Justiça foi o secretário de Gabinete do governador, Robson Leite.

Segundo fontes próximas ao secretário da Justiça, Roncali teria ficado chateado, porque, ao ser convocado para ir ao Palácio Anchieta, achou que seria recebido pelo governador, já que o assunto entre ambos era de caráter particular.

Devido à crise, Ângelo Roncali já começou a aprontar as malas para deixar a Sejus. A qualquer momento ele deverá anunciar sua saída do cargo.

Em tempo: nesta quinta-feira, o secretária de Comunicação, Sandra Cola, decolou do governo Casagrande. Em seu lugar, o governdor nomeou um profissional muito mais experiente, com mais de 30 anos à frente da área de marketing da multinacional Nestlé, que é Ronaldo Carneiro.

Investigador caô engana a Polícia Militar e o Ibama para extorquir empresários

6 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

A Polícia Civil e a Corregedoria Geral da Polícia Militar estão investigando a ação de um falso pastor que, se passando por investigador, enganou o Batalhão de Polícia Ambiental e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e extorquiu fazendeiros e empresários capixabas ligados a rinhas de galo.

Em reportagem exclusiva publicada no Blog do Elimar Côrtes na segunda-feira (03/10), foi informado que o homem que se passava por Jorge de Araújo, Nilo Araújo e Lino Araújo estaria cobrando “resgate” de até R$ 5.800,00 para liberar galos de brigas apreendidos em uma rinha de São Mateus. Dizia a denúncia que o homem – identificado na ocasião como policial civil – estaria poupando de blitz os donos de rinhas que aceitavam pagar propina de R$ 1.500,00 por cada torneio realizado. Mais informação no link http://elimarcortes.blogspot.com/2011/10/fazendeiros-pagam-ate-r-5-mil-de.html

Logo após a publicação da reportagem, veio a versão oficial. O tal Jorge de Araújo é um tremendo estelionatário, que conseguiu se infiltrar no Ibama como informante (x-9) e, depois, no Batalhão Ambiental da PM.

Para todos, ele se identificava também como investigador da Polícia Civil e pastor de uma igreja Batista. Chegou a fazer até investigações sigilosas, normalmente reservadas a agentes do Serviço de Informação (P-2).

Um dos oficiais que chegaram a trabalhar com o investigador caô, o falso pastor gostava de ser chamado de “PC Araújo”. Usava coleta da Polícia Civil, uma pistola ponto 40 e até algemas penduradas no cinto da calça.

Como falso pastor, Jorge de Araújo ganhava, como doação, produtos – como peixes e aves – comestíveis apreendidos em operações conjunto do Ibama e Polícia Ambiental.

As doações teriam que ser repassadas pelo investigador caô a instituições filantrópicas. Teriam…

Por trás do falso policial, no entanto, existia a intenção de ganhar dinheiro fácil. Para isso, ele vinha extorquindo fazendeiros e empresários, que têm rinhas de galo na Serra e no interior do Estado. O falso policial foi descoberto no início deste ano, mas somente agora o caso vem sendo trazido à tona.

Ele está sendo investigado pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e Patrimônio Cultural da Polícia. A Corregedoria da Polícia Militar entrou nas investigações com o objetivo de descobrir se há envolvimento de militares com os crimes que teriam sido praticados por Jorge de Araújo.

O falso policial chegou ao Batalhão Ambiental supostamente indicado pelo Ibama. Foi se integrando à Polícia Ambiental, garantindo que era informante do Ibama.

Repassava informações à PM sobre pesca ilegal, maus tratos a animais e as localidades onde haviam rinhas de galo. Foi assim que ele conquistou a confiança dos oficiais e praças da Ambiental, inclusive, do seu comandante, o então tenente-coronel Leonardo Marchezi – que acaba de ser promovido a coronel e será, em breve, Diretor de Pessoal da PMES.

INVESTIGAÇÃO DA DINT NÃO PEGOU NADA

Antes, entretanto, de confiar no falso investigador, o coronel Marchezi tomou o cuidado de pedir à Diretoria de Inteligência (Dint) da PM que “sondasse” o passado de Jorge:

“Pelo CPF e a Identidade dele (Jorge de Araújo), a Dint descobriu uma única ocorrência: foi quando a ex-esposa dele tentou atropelá-lo. Nem cheque sem fundos o cara tinha”, disse o coronel Marchezi.

Policiais lotados na Ambiental lembram que Jorge de Araújo atuava no Batalhão repassando informações, mas era, na verdade, “um agente duplo”. Ou seja, para quem cometia crimes ambientais e aceitava pagar propina ao falso policial, Jorge não denunciava.

Antes de denunciar, por exemplo, uma rinha de galo, ele extorquia os proprietários. Cobrava, inicialmente, um salário mínimo para manter a rinha sem a presença da polícia; depois, passou a cobrar dois salários mínimos. Por fim, já estava cobrando três salários – mais de R$ 1.500,00.

Foi aí que a casa começou a cair para o investigador caô. Ele foi a São Mateus e ajudou a PM local a prender mais de 50 pessoas e apreender 104 galos.

FALSO POLICIAL FEZ INVESTIGAÇÃO SECRETA

O então comandante do Batalhão Ambiental, coronel Marchezi, garante que Jorge não participava das operações. Apenas dava informações sobre os delitos e criminosos e ia sempre nos locais de saída das guarnições fazer oração para os policiais e para o sucesso das operações.

Mas na operação de São Mateus – ocorrida em 6 de novembro de 2010 –, que culminou com a apreensão de 104 galos, Jorge de Araújo foi o responsável pelas investigações preliminares, conforme consta no relatório de Serviço n° 299/2010, da 3ª Companhia, assinada pelo 3° sargento Itamar Laurindo:

“Denúncia n° 664/2010: cujo delator informa estar ocorrendo um torneio de RINHA DE GALO em zona rural nas proximidades do Km 10. Com apoio do Sr. Araújo (Policial Civil à disposição do IBAMA) foi realizado serviço velado de reconhecimento e posteriormente abordagem pela equipe de dia, reforçada pela presença do Ten (tenente) Correia e ARAÚJO…”.

Nessa operação, foram apreendidos galos que custavam até R$ 40 mil. De acordo com o mesmo relatório da 3ª Companhia da PM de São Marteus, “os galos foram entregues ao Sr. Araújo, conforme orientação do Tenente Correia, que os levou para Vitória onde será dado destinação adequada”,

FRANGO DO PÉ DURO NO LUGAR DE GALOS DE BRIGA

Segundo as investigações, Jorge de Araújo teria levado os galos para Guarapari, de onde passou a telefonar para os proprietários das aves dizendo que queria dinheiro para devolvê-las.

Antes, o falso investigador comprou em um supermercado uma grande quantidade de frangos congelados e os repassou a uma instituição filantrópica.

O responsável pela instituição assinou o ato de doação, documento expedito pelo Ibama, como se estivesse recebido galos.

Ainda de acordo com as investigações, um empresário concordou em pagar R$ 15 mil a Jorge de Araújo por três galos que seriam devolvidos a sua fazenda. Os galos tinham sido apreendidos em São Mateus.

O falso investigador marcou com o empresário para resgatar os galos no trevo de Guarapari, na BR-101 Sul. Era de noite. O empresário se encontrou com Jorge e recebeu uma caixa de madeira, onde estariam os galos.

Quando chegou em sua fazenda, em São Mateus, já no outro dia de manhã, abriu a caixa e, para sua surpresa, se deparou com três frangos do pé duro.

Seus galos verdadeiros já tinham sido levados para o Rio, onde Jorge de Araújo teria vendido. Detalhe: cada galo desse empresário era avaliado em R$ 40 mil.

VIGARISTA DIZIA CONHECER DUDA MENDONÇA

“O papo dele (Jorge) era tão forte que ele dizia que era amigo até do Duda Mendonça – famoso publicitário responsável pelas campanhas políticas vitoriosas, como a o ex-presidente Lula, e que foi preso pela Polícia Federal, no início da gestão Lula, em 2003, em uma rinha de galo no Rio.”, conta um policial do Batalhão Ambiental.

“Ele dizia que conhecia galeiros de todo o País. Por isso, tinha a intenção de ajudar a nossa polícia a colocar os caras na cadeia”, completou um outro oficial.

Conforme informações em postagem anterior, a extorsão praticada pelo falso policial foi denunciada ao Ministério Público Estado, Ibama e Corregedorias das Polícias Civil e Militar.

Tão logo soube das denúncias, o corregedor geral da PC, delegado Emerson Gonçalves da Rocha, tomou providência. Viu que Jorge de Araújo não era policial civil. E, como estava também praticando crimes de maus tratos a animais – não só de extorsão –, passou o caso para a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e Patrimônio Cultural.

A Corregedoria Geral da PM também investiga o caso, mas a DP do Meio Ambiente acredita que Jorge de Araújo teria agido sozinho. Não teve ajuda de nenhum policial militar em suas ações criminosas.

O inquérito, aberto há pelo menos quatro meses, está perto de ser concluído com pedido de prisão e indiciamento de Jorge de Araújo.

Segundo as investigações, ele participava de operações do Ibama e da Polícia Ambiental como “voluntário” e se dizia também representante de organizações que cuidam de dependentes químicos. Ao final do inquérito, Jorge deverá ser indiciado pelos crimes de falsidade ideológica, extorsão, maus tratos e estelionato.

FALSO PASTOR FAZIA ORAÇÕES PARA POLICIAIS

O coronel Leonardo Marchezi, que está deixando o comando do Batalhão Ambiental para assumir a Diretoria de Pessoal da PM, informou que Jorge de Araújo constava na relação de informantes do Ibama. Desta forma, ele passou a ajudar a polícia com denúncias sobre crimes ambientais.

“Muitas informações se concretizaram. Ele (Jorge) surge nesse cenário, como pessoal ligada ao Ibama. Jorge ia sempre aos locais onde começavam as operações e fazia oração. Ele indicava as entidades que iriam receber doação dos produtos comestíveis apreendidos nas operações”, disse Marchezi.

Embora para policiais militares Jorge de Araújo se identificava como “PC Araújo”, o coronel Marchezi garante que tinha nele a figura de um pastor e de um informante do Ibama.

“Por isso, a denúncia de que o Jorge estaria extorquindo fazendeiros nos surpreendeu”, conta o coronel Marchezi.

Ele reforçou sua tese de que o falso policial civil somente participava das saídas das diligências em alto mar, indo sempre se encontrar com a tropa militar e os fiscais do Ibama na saída das embarcações.

“Ele chegava, se apresentava como pastor e fazia orações. As operações eram sempre do Ibama. A Polícia Ambiental apenas dava apoio. A operação em São Mateus, quando foram apreendidos os 104 galos, foi a única que em que o Ibama não estava presente”, lembrou Marchezi.

A superintendência do Ibama preferiu se manifestar por intermédio de sua assessoria de imprensa. Inicialmente, a assessoria alegou que o órgão possui um sistema chamado de Linha Verde, em que qualquer pessoa pode denunciar crimes ambientais pelos telefones 3089-1065 e 0800618080.

Sobre Jorge de Araújo, a assessoria disse que “se ele tem ligação com o Ibama, é como informante”.

Mais tarde, a assessoria de imprensa deu nova ligação para o blogueiro, dizendo que o coordenador de Fiscalização do Ibama já esteve pessoalmente com Jorge de Araújo, “mas somente nas operações, quando Jorge chegava, se passava por pastor e fazia oração para os policiais da Ambiental e para os fiscais do Ibama”.

Novidades na segurança no campus da UVV

2 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

A Universidade de Vila Velha (UVV) investe em segurança nos arredores do campus com instalação de mais  videocâmeras em pontos estratégicos. O sistema é uma parceria com a Central de Segurança da Prefeitura de Vila Velha e com a Polícia Militar. As informações são do site da UVV.

Para melhorar a segurança na parte externa da UVV, foram instaladas mais câmeras na entrada principal do campus em frente ao Fórum de Vila Velha, virada para o estacionamento; na rotatória; e na entrada do complexo de Biopráticas.

As imagens das videocâmeras são monitoradas pela Central de Segurança da Prefeitura de Vila Velha. A central, por sua vez, tem ligação direta com a Polícia Militar.

“Se as câmeras captarem alguma incidência de violência, a PM vai agir o mais rápido possível”, explica Pró-Reitor Administrativo da UVV, Edson Immaginário.

Ainda serão acionados microfones e cornetas nas câmeras. “É o que chamamos de câmera tagarela”, conta o professor Immaginário. Com esse recurso, o controlador direto do escritório pode chamar a atenção das pessoas na rua.

Outro projeto da instituição é fazer parceria com o “Departamento de Tráfico e Drogas da PM”. A proposta é que, periodicamente, a Polícia Militar faça vistorias nos arredores da instituição.

TREINAMENTO

Sob a direção dos professores Charles de Souza, Paulo Roberto Gonçalves e Nízio César do Bem, a Coordenação do Curso de Graduação Tecnológica em Gestão em Segurança Privada (e do Cidadão) realizou no sábado (01/10) o exercício prático de um seqüestro simulado.

O evento. que teve a participação de alunos dos quarto e quinto períodos do curso, foi um sucesso. Muitos populares pararam na rua, ao lado do campus da UVV, na Praia da Costa, para assistir o exercício.

Comunicadas com a devida antecedência, as autoridades policiais e da Secretaria de Defesa Social e de Trânsito de Vila Velha deram todo o apoio ao evento.

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